
Edit: É para se ouvir ao som disso aqui, meus caros. https://www.youtube.com/watch?v=yV4Rsq-4JRA
Meu nome é Vinícius. Sou acompanhado das cagadas que os Silvas fizeram em toda a história, e das armas dos Souzas. Souza esse que carrego como primeiro nome na roda de amigos. Sempre gostei do som, do soar, da voz que fala ele. Mas antes dos antepassados e os legados deles, eu sou esse cara que trabalha todo dia mais do que devia.
Tenho dezenove no RG. Sou o responsável irresponsável da turma geralmente. Que arranja brigas, que gosta de papos cabeça ou desses desafios que nos são apresentados a cada dia. Em um ano atrás, eu acho que não saberia responder essa pergunta do título. Na verdade, acho que eu nunca vou conseguir responder por completo, apenas vou ser capaz de dar a visão geral dessa coisa baseada em hidrogênio e carbono que eu sou.
Eu já fui o young folk, o garoto prendado no trabalho e o chutador de garrafas vazias. Já fui astronauta, lobo, dálmata e a porra que for.
Eu acho que o mundo é meu.
Eu tenho fé em pessoas. Tenho fé no sorriso com sono da garota, na jaqueta emprestada, no andar de mãos dadas, nos sorrisos e nas lágrimas. Eu tenho fé em ter fé. Em Deus também, mesmo em muitas vezes eu ter falado que não.
Gosto de histórias. Gosto de escrever, de contar, de ler. Amo ler. Amo absurdos e impossíveis. Amo palavras. Perseverança, Impossível, Absurdar, Sensacionalizar e neologismos. Poesiar o sentimento ao escrever umas palavras assim. Em parafrasear a garota que existe em sonhar ( Sim, de existir e não de insistir. Porque se pensa, já é, tô errado?):
Só precisa ser, existir e estar.
Eu acredito em acreditar. Em viagens no tempo, em sonhos perdidos e em pedaços que deixamos em cada canto. Eu acredito que podemos ser infinitos por alguns instantes e miseráveis nos outros. Na bondade e na maldade, em anjos e demônios e em cafés e cigarros. E para todos os efeitos, em toddynho também.
Fumar.
Eu aprendi a fumar quando me deixei levar. Tem vezes que acontece. Tem vezes que a gente precisa de música alta, de doses fortes e de tudo que te pode destruir. Como a mulher que disse que uma vez atiramos fogos em nós mesmos para nos tornarmos supernovas. E supernovas viram buracos negros e quem implode é você. Um dia desses, quando desestressar o stress eu paro. Eu recomeço. É feito Major Tom e o Ground Control. Música boa.
Acredito em redenção. Acredito que erros podem ser consertados. Acredito que fazemos cagadas e as vezes sofremos outras. Acredito que nosso dia-a-dia pode ser definida com músicas e poesias. Com vibes e moods. Que podemos ser Hey Jude! e no final sermos uma canção da Birdy ou da Boy ( Tipo Skin ou Seven Numbers ). Acreditos em Choo-Choos, em Fields of Gold, em The XX e em Miss Atomic Bomb. Em 505s, em Roxannes e em Blue Valentines. Acredito em Guns n’ Roses, em Black Keys e em Kasabian. Se você vai à Igreja para encontrar sua salvação, eu vou a rua Augusta e outros lugares para encontrar a minha.
Ao invés da Bíblia eu encontro na poesia as minhas palavras de sabedoria. Não que não haja nada lá, mas é que me encontro melhor entre as letras do Woodkid, da Birdy, de Boy, de Gabriel Garcia Márquez, de The XX e de Thoreau. De Vinícius também, só que o de Moraes. Esse sim sabia viver e apreciar a doçura do olhar da mulher, ou do franguinho com batatas que sua amada fazia.
Eu me escondo debaixo do meu olhar cansado. Aprendi a usar isso ao meu favor desde quando meu mundo caiu (sim, leia isso com aquela voz da Maysa e um violino para dar mais drama a coisa ). Já fui muita coisa, incluindo Conde de Montecristo e Kill Bill. Eu saio pelas portas de emergências quando quero, e agrado para afogar a atenção. Me sinto underdog as vezes.
Eu me perco as vezes.
No álcool, em músicas altas e em garrafas quebradas. Me perco de maneira ruim quando faço isso, e tenho plena consciência de que é errado mas isso é culpa de quem já cometeu erros piores.
Eu sou uma pessoa culpada, se pudesse dizer isso para algum lugar onde julgam todas as escolhas que tomamos.
Sou culpado em fazer outros chorarem, criarem raiva ou se afastarem de mim. Sou culpado por ter explodido planetas e destilado o ódio entre algumas pessoas. Sou culpado por ter feito a garota chorar, a estrada acinzentar e a poesia findar também.
Eu me perdi, por me perder. Para a história ficar curta e cheios de pontos bem marcados. Eu perdi coisas. Perdi pessoas. Perdi sonhos.
Eu perdi coisa pra caralho
Pra caralho é um bom jeito de definir quantidade.
Eu já vi muitas coisas.
Já vi o Sol se pôr da janela do quarto da garota que eu amava, do sorriso aparecer e desaparecer em um piscar de olhos. Já vi alguém morrer nos meus braços e já vi sangue também. Já vi poesia em forma de muher, e em forma de lágrima. Já vi as montanhas do chile, o arco-íris do alto de um jato e já vi o amor por entre o verde. E sinto falta. Já vi águias, lobos, girafas, golfinhos e araras.
Já vi raios de Sol por um olhar vazio. Já vi um cara estranho me olhando pelo o espelho, e por mais estranho que seja, era eu.
Já vi as estrelas em um campo gelado, e o calor de Copacabana. Do vinho de São Sebastião e da cachaça de Minas Gerais. Do beijo com cheiro de sono e da viagem fria na calda de cometa. Já vi filmes de todos os tipos. Do noir ao romance, do épico ao fictício. Do sério ao musical melódico.
Sou astronauta, ou ao menos fui, prazer Senhor. Já fui soldado, detetive, guarda, designer, escritor e desenvolvedor. Já fui muitas coisas, e hoje sou só eu. Palavra estranha de se falar: “Só”. Tem muita coisa aqui poxa!
Mas de tanta infinidade tem vezes que me sinto uma coisa que não deve caber dentro de um pote de geléia. Mesquinho e mequetrefe assim.
Eu já vivi muitas coisas.
Já me afoguei por não saber nadar. Já viajei em um cometa. Já explodi universos e vi sonhos serem escondidos. Já encontrei razão em uma roda de amigos e perdi outros tantos especiais. Já desapontei e já fui motivo de orgulho. Já sorri após amar. Ah, como sorri!
Já fui rock, mpb e jazz e já fui supersônico também.
Eu fui, vivi, conquistei, roubei, fugi, trepei, transei, fiz amor, fumei, mergulhei, corri, viajei, desenvolvi, contribuí, divaguei, poetizei, sintetizei, venci, perdi e… do que eu estava falando mesmo?
Pois é.
Eu gosto de histórias. E gostaria que a minha fosse uma boa história.
Eu tento também. Tento ser melhor no trabalho, com os amigos, com a família e tudo mais. Eu me apego demais, faço algo demais, tudo… demais. A vida para cá se tornou extremos, e faz um tempo já que não sei o que é ser um café com leite. Ultimamente ou é doce feito nutella ou amargo feito uma dose de black label. Eu me pergunto onde isso vai me levar as vezes, quando antes eu sabia exatamente para onde eu ia ou o que queria.
Eu não crio expectativas, ou ao menos não demonstro elas. Eu acredito em palavras, em ações e na porra toda.
Em olhares, em toques e em gestos. Coisas, detalhes, signos. Astrologia, astrofísica, ciência e ciganos. Em danças ao pôr do Sol, em tribalismos, urbanismos e progresso. Em metodologias, em publicidades fuleiras, em slogans sem sentido e em rabiscos em cadernos. Do Brainstorm até o Lineup.
Minha vida vive em estado Beta, Alpha e em Pre-Releases e Fix Packs. Em bugs que eu jamais vou corrigir, a features que eu sempre vou usar.
Eu sonho.
Sonho em poder fazer o que quiser e como quiser. Sonho em dominar o mundo, mas apenas um pedacinho onde ele e quem eu amar ter o poder de poder. De sorrir, de fazer, de envelhecer juntos. De amar sem limites. De amar além do próprio amor. Eu sonho em ser pai um dia. De ter uma família e poder viajar nos finais de semana, e de poder ter alguém para compartilhar esse mundo que eu vou conquistar um dia desses.
Um dia desses tudo pode acontecer, e aí eu sintetizo o Arnaldo Antunes e toda sua malemolência em buscas de casos perdidos no acaso e o Renato Russo com as palavras que nunca são ditas, e que talvez fossem as mais importantes. Talvez tanta coisa, que ao invés de olhar no meu retrovisor quando estou na estrada o que eu faço é acelerar mais porque me falaram que eu deveria seguir em frente. Que seja supersônico enquanto meu coração aguentar, minha cara.
Quem sou eu?
Ao escrever isso eu não sei. Tudo que posso dizer é que quem me conhece realmente me chama de Vinícius ao invés de chamar Souza. Que liga para as atitudes que eu faço ou o que eu falo ao invés de ligar para as armas de uma família ou seja lá o que. Tudo que eu posso dizer é que eu busco realizar meus sonhos, e absurdar a vida. Que amo mais do que devo, que tento muito mais do que eu posso, de que sorrio, bebo, fodo e choro quando posso e quando quero.
Eu acho que sou esse sujeito, meu senhor.
Esse olhar cansado, esse cabelo bagunçado, esse sorriso léxico de quem já foi versado no amor que a menininha escrevia em poesias e esse sujeito que gosta um pouco de romantismo. Que acha que a melhor forma de poesia é o sexo. Que ama sem limite de tempo, ou sujeito. Eu tenho vontade de buscar algo que foi proibido para mim. Eu tenho medo de amar mais do que devo, e de agulhas também.
Meu nome é Vinícius da Silva Souza, e eu acredito que podemos conseguir o que quisermos. Como pudermos. Passe o ano ou passem por nós, eu acredito que deve haver algum lugar onde possamos ser infinitos ao invés de apenas existir. Eu acredito em mim. Eu acredito em você. Eu acredito no tempo, na distância e na saudade. É besta, mas eu acredito.
Poderia você acreditar em mim quando lhe digo isso?
Meu nome é Vinícius, e eu me afirmo como quem leu Invictus do William Ernest Henley:
It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll.
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.