Souza Lobo
 
 
Let’s do it. Let’s fall in love.

Foi hoje, numa manhã de segunda feira indo para a Argentina que eu me detive novamente. Danem-se os hermanos e os vinhos, e o tango e os alfajores. Fui até o rio da Prata e fiquei lá. Com um café e os meus pensamentos.

E foi vendo o Sol ir embora, e o piano tocar, e o café acabar e o meu último cigarro ( o último, da promessa de deixar os últimos pensamentos e as últimas coisas em um lugar bem longe de mim ) que eu descobri.

É tudo sobre o amor.

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Quem sou eu?

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Edit: É para se ouvir ao som disso aqui, meus caros. https://www.youtube.com/watch?v=yV4Rsq-4JRA

Meu nome é Vinícius. Sou acompanhado das cagadas que os Silvas fizeram em toda a história, e das armas dos Souzas. Souza esse que carrego como primeiro nome na roda de amigos. Sempre gostei do som, do soar, da voz que fala ele. Mas antes dos antepassados e os legados deles, eu sou esse cara que trabalha todo dia mais do que devia.

Tenho dezenove no RG. Sou o responsável irresponsável da turma geralmente. Que arranja brigas, que gosta de papos cabeça ou desses desafios que nos são apresentados a cada dia. Em um ano atrás, eu acho que não saberia responder essa pergunta do título. Na verdade, acho que eu nunca vou conseguir responder por completo, apenas vou ser capaz de dar a visão geral dessa coisa baseada em hidrogênio e carbono que eu sou.

Eu já fui o young folk, o garoto prendado no trabalho e o chutador de garrafas vazias. Já fui astronauta, lobo, dálmata e a porra que for.

Eu acho que o mundo é meu.

Eu tenho fé em pessoas. Tenho fé no sorriso com sono da garota, na jaqueta emprestada, no andar de mãos dadas, nos sorrisos e nas lágrimas. Eu tenho fé em ter fé. Em Deus também, mesmo em muitas vezes eu ter falado que não.

Gosto de histórias. Gosto de escrever, de contar, de ler. Amo ler. Amo absurdos e impossíveis. Amo palavras. Perseverança, Impossível, Absurdar, Sensacionalizar e neologismos. Poesiar o sentimento ao escrever umas palavras assim. Em parafrasear a garota que existe em sonhar ( Sim, de existir e não de insistir. Porque se pensa, já é, tô errado?):

Só precisa ser, existir e estar.

Eu acredito em acreditar. Em viagens no tempo, em sonhos perdidos e em pedaços que deixamos em cada canto. Eu acredito que podemos ser infinitos por alguns instantes e miseráveis nos outros. Na bondade e na maldade, em anjos e demônios e em cafés e cigarros. E para todos os efeitos, em toddynho também.

Fumar.

Eu aprendi a fumar quando me deixei levar. Tem vezes que acontece. Tem vezes que a gente precisa de música alta, de doses fortes e de tudo que te pode destruir. Como a mulher que disse que uma vez atiramos fogos em nós mesmos para nos tornarmos supernovas. E supernovas viram buracos negros e quem implode é você. Um dia desses, quando desestressar o stress eu paro. Eu recomeço. É feito Major Tom e o Ground Control. Música boa.

Acredito em redenção. Acredito que erros podem ser consertados. Acredito que fazemos cagadas e as vezes sofremos outras. Acredito que nosso dia-a-dia pode ser definida com músicas e poesias. Com vibes e moods. Que podemos ser Hey Jude! e no final sermos uma canção da Birdy ou da Boy ( Tipo Skin ou Seven Numbers ). Acreditos em Choo-Choos, em Fields of Gold, em The XX e em Miss Atomic Bomb. Em 505s, em Roxannes e em Blue Valentines. Acredito em Guns n’ Roses, em Black Keys e em Kasabian. Se você vai à Igreja para encontrar sua salvação, eu vou a rua Augusta e outros lugares para encontrar a minha.

Ao invés da Bíblia eu encontro na poesia as minhas palavras de sabedoria. Não que não haja nada lá, mas é que me encontro melhor entre as letras do Woodkid, da Birdy, de Boy, de Gabriel Garcia Márquez, de The XX e de Thoreau. De Vinícius também, só que o de Moraes. Esse sim sabia viver e apreciar a doçura do olhar da mulher, ou do franguinho com batatas que sua amada fazia.

Eu me escondo debaixo do meu olhar cansado. Aprendi a usar isso ao meu favor desde quando meu mundo caiu (sim, leia isso com aquela voz da Maysa e um violino para dar mais drama a coisa ). Já fui muita coisa, incluindo Conde de Montecristo e Kill Bill. Eu saio pelas portas de emergências quando quero, e agrado para afogar a atenção. Me sinto underdog as vezes. 

Eu me perco as vezes.

No álcool, em músicas altas e em garrafas quebradas. Me perco de maneira ruim quando faço isso, e tenho plena consciência de que é errado mas isso é culpa de quem já cometeu erros piores.

Eu sou uma pessoa culpada, se pudesse dizer isso para algum lugar onde julgam todas as escolhas que tomamos.

Sou culpado em fazer outros chorarem, criarem raiva ou se afastarem de mim. Sou culpado por ter explodido planetas e destilado o ódio entre algumas pessoas. Sou culpado por ter feito a garota chorar, a estrada acinzentar e a poesia findar também.

Eu me perdi, por me perder. Para a história ficar curta e cheios de pontos bem marcados. Eu perdi coisas. Perdi pessoas. Perdi sonhos.

Eu perdi coisa pra caralho

Pra caralho é um bom jeito de definir quantidade.

Eu já vi muitas coisas.

Já vi o Sol se pôr da janela do quarto da garota que eu amava, do sorriso aparecer e desaparecer em um piscar de olhos. Já vi alguém morrer nos meus braços e já vi sangue também. Já vi poesia em forma de muher, e em forma de lágrima. Já vi as montanhas do chile, o arco-íris do alto de um jato e já vi o amor por entre o verde. E sinto falta. Já vi águias, lobos, girafas, golfinhos e araras.

Já vi raios de Sol por um olhar vazio. Já vi um cara estranho me olhando pelo o espelho, e por mais estranho que seja, era eu.

Já vi as estrelas em um campo gelado, e o calor de Copacabana. Do vinho de São Sebastião e da cachaça de Minas Gerais. Do beijo com cheiro de sono e da viagem fria na calda de cometa. Já vi filmes de todos os tipos. Do noir ao romance, do épico ao fictício. Do sério ao musical melódico.

Sou astronauta, ou ao menos fui, prazer Senhor. Já fui soldado, detetive, guarda, designer, escritor e desenvolvedor. Já fui muitas coisas, e hoje sou só eu. Palavra estranha de se falar: “Só”. Tem muita coisa aqui poxa!

Mas de tanta infinidade tem vezes que me sinto uma coisa que não deve caber dentro de um pote de geléia. Mesquinho e mequetrefe assim.

Eu já vivi muitas coisas.

Já me afoguei por não saber nadar. Já viajei em um cometa. Já explodi universos e vi sonhos serem escondidos. Já encontrei razão em uma roda de amigos e perdi outros tantos especiais. Já desapontei e já fui motivo de orgulho. Já sorri após amar. Ah, como sorri!

Já fui rock, mpb e jazz e já fui supersônico também.

Eu fui, vivi, conquistei, roubei, fugi, trepei, transei, fiz amor, fumei, mergulhei, corri, viajei, desenvolvi, contribuí, divaguei, poetizei, sintetizei, venci, perdi e… do que eu estava falando mesmo? 

Pois é.

Eu gosto de histórias. E gostaria que a minha fosse uma boa história.

Eu tento também. Tento ser melhor no trabalho, com os amigos, com a família e tudo mais. Eu me apego demais, faço algo demais, tudo… demais. A vida para cá se tornou extremos, e faz um tempo já que não sei o que é ser um café com leite. Ultimamente ou é doce feito nutella ou amargo feito uma dose de black label. Eu me pergunto onde isso vai me levar as vezes, quando antes eu sabia exatamente para onde eu ia ou o que queria.

Eu não crio expectativas, ou ao menos não demonstro elas. Eu acredito em palavras, em ações e na porra toda. 

Em olhares, em toques e em gestos. Coisas, detalhes, signos. Astrologia, astrofísica, ciência e ciganos. Em danças ao pôr do Sol, em tribalismos, urbanismos e progresso. Em metodologias, em publicidades fuleiras, em slogans sem sentido e em rabiscos em cadernos. Do Brainstorm até o Lineup. 

Minha vida vive em estado Beta, Alpha e em Pre-Releases e Fix Packs. Em bugs que eu jamais vou corrigir, a features que eu sempre vou usar.

Eu sonho.

Sonho em poder fazer o que quiser e como quiser. Sonho em dominar o mundo, mas apenas um pedacinho onde ele e quem eu amar ter o poder de poder. De sorrir, de fazer, de envelhecer juntos. De amar sem limites. De amar além do próprio amor. Eu sonho em ser pai um dia. De ter uma família e poder viajar nos finais de semana, e de poder ter alguém para compartilhar esse mundo que eu vou conquistar um dia desses.

Um dia desses tudo pode acontecer, e aí eu sintetizo o Arnaldo Antunes e toda sua malemolência em buscas de casos perdidos no acaso e o Renato Russo com as palavras que nunca são ditas, e que talvez fossem as mais importantes. Talvez tanta coisa, que ao invés de olhar no meu retrovisor quando estou na estrada o que eu faço é acelerar mais porque me falaram que eu deveria seguir em frente. Que seja supersônico enquanto meu coração aguentar, minha cara.

Quem sou eu?

Ao escrever isso eu não sei. Tudo que posso dizer é que quem me conhece realmente me chama de Vinícius ao invés de chamar Souza. Que liga para as atitudes que eu faço ou o que eu falo ao invés de ligar para as armas de uma família ou seja lá o que. Tudo que eu posso dizer é que eu busco realizar meus sonhos, e absurdar a vida. Que amo mais do que devo, que tento muito mais do que eu posso, de que sorrio, bebo, fodo e choro quando posso e quando quero.

Eu acho que sou esse sujeito, meu senhor. 

Esse olhar cansado, esse cabelo bagunçado, esse sorriso léxico de quem já foi versado no amor que a menininha escrevia em poesias e esse sujeito que gosta um pouco de romantismo. Que acha que a melhor forma de poesia é o sexo. Que ama sem limite de tempo, ou sujeito. Eu tenho vontade de buscar algo que foi proibido para mim. Eu tenho medo de amar mais do que devo, e de agulhas também.

Meu nome é Vinícius da Silva Souza, e eu acredito que podemos conseguir o que quisermos. Como pudermos. Passe o ano ou passem por nós, eu acredito que deve haver algum lugar onde possamos ser infinitos ao invés de apenas existir. Eu acredito em mim. Eu acredito em você. Eu acredito no tempo, na distância e na saudade. É besta, mas eu acredito.

Poderia você acreditar em mim quando lhe digo isso?

Meu nome é Vinícius, e eu me afirmo como quem leu Invictus do William Ernest Henley:

It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll.
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.

Existe um punhado de palavras que eu estou tentando organizar desde então. Desde que todos esses pensamentos me atingiram em cheio e eu acabei nessa confusão. É como uma tempestade que você tenta enxergar um pouco mas opa, o vento acabou de levar teu guarda-chuva.
Você fica ali, molhado e percebe que não sabe aonde está. Já falei molhado? Pois bem, granizo.

Estou numa situação dessas. Não consigo definir o caminho a se seguir e já não possuo a certeza. Sei que estou um pouco a frente, e talvez um pouco atrás daquilo que almejo estar. Sei que talvez esteja colocando tudo a perder simplesmente pelo fato de não ter uma razão para prosseguir mas… mas o que eu devo fazer?

Eu nunca sei.

Para todos os efeitos, comecei a deixar do lado as duvidas e quando me deparo com alguma questão, simplesmente escolho a que menos irá causar danos colaterais. Seja em mim, ou naquilo que me cerca. Até mesmo nas pessoas envolvidas, eu comecei a observar mais e a tentar diminuir a intensidade com que eu sempre havia levado antes.

Eu só estou tentando encontrar o meu limite.
Eu só estou tentando descansar um pouco esse meu cansaço.
Eu só… eu só estou teimando.
Eu só estou tentando.

São só pequenos infinitos.

Busco um pouco de paz. Talvez um pouco de conforto.
E para isso eu estou pronto. É o que eu tento encontrar agora que tudo isso aconteceu comigo.

E eu nunca sei se um dia mereci tudo isso, mas a vida já nos deu o suficiente pelo simples fato de estarmos vivos, não?

Ainda acredito em campos de ouro, ou nos campos Elíseos. Ainda acredito em um estado de paz constante onde tudo que você vai ter é… plenitude. É uma palavra bonita, não é?
Eu sei disso, porque já senti antes. Porque por um breve momento nos meus dezenove anos, eu consegui alcançar ao menos por uma mínima fração de tempo, esse estado.

Foi uma realização verdadeira para mim, mas falsa para todo o resto. Isso o qualifica para a realidade?

Quando me perguntaram o que eu queria a uns dias atrás, tudo que disse foi que buscava ser uma pessoa melhor. Eu não sei como, mas é apenas o que eu busco. Eu não sei se vou alcançar, mas ainda assim… ainda assim essa jornada é minha, e de mais ninguém.

E talvez eu me torne alguém. Talvez eu consiga o que eu estou afim de buscar e assim, talvez, eu me torne um pouco mais forte. Gostaria de ser feito um viajante do tempo e poder ver como minha história termina. Gostaria de estar ao meu próprio lado quando tudo isso acabasse. Quando o cansaço e o corpo já deixasse de existir.

Eu só sou um garoto que se fodeu no meio disso tudo. Mas eu te garanto que eu sairei dessa.

É só isso que eu busco:

Uma jornada que seja apenas minha.

Pensamento Sem Título #21 - Vinícius S. Souza

E foi lendo A Culpa é das Estrelas que eu me deparei com uma quote bem bacana:
“A escrita não ressuscita. Enterra.”

Sorri um sorriso torto no momento em que li.
Pelo visto te enterrei além de 7 palmos, minha cara desapercebida.

Pensamento Sem Título #20 - Vinícius S. Souza

Sempre gostei de terraços. Sempre gostei da altura, de poder observar o mundo ali do alto. De ser algo inexistente ali de cima, podendo ver o mundo acontecer.
Tive acesso ao terraço do lugar onde trabalho hoje. Chamei a minha equipe e reuni todo mundo lá em cima para um momento mais tranquilo, afinal, era sexta-feira.
Depois que todo mundo foi embora, enquanto a noite caía, continuei lá.

Acendi um cigarro, sentei no heli-porto e fiquei observando o céu limpo. Me senti pleno.
Me senti em paz por um instante. Talvez eu esteja no caminho certo, disse para mim mesmo.
Não sei bem o por quê mas acabei chorando um pouco. Teu nome me veio em mente. Logo em seguida o teu rosto e o teu olhar vazio.

Por quê eu penso em você?

No teu egoísmo, no seu não pensar duas vezes em descartar alguém ou até mesmo no simples fato de que eu fui deixado de lado para você correr atrás de outro alguém. Naqueles casos clássicos onde se volta para a estaca zero e não se muda nada, mas que ainda assim você busca. O engraçado em esconder isso em todos outros momentos, e em todos os outros sorrisos, como aprovação de quem ainda assim sabe no fundo o quanto é culpado. Mas tudo bem, provavelmente deve ser só eu.

Quanto a mim, apenas mais um na multidão. Ou um… ali em cima daquele terraço vazio.

Digo teu nome apenas para escutar o som que ele tem. Ainda há carinho ao dizer ele, mas um pouco de amargura. Acho engraçado essa palavra. Amargura. Tem um tom estranho, mas lhe cai bem.

Me deito. Fico observando o céu por um momento.

O telefone toca. Precisam de mim lá embaixo. Digo que vou em alguns minutos.
Digito teu número logo em seguira. Penso em enviar o sinal de que penso em você, feito alguém que segura o gatilho de uma arma pronta para disparar.

Recuso. Me nego. Me proíbo de qualquer erro que eu me arrependa. Principalmente o erro que custou parte da minha sanidade.

O silêncio já traz todas as respostas que eu preciso, e não é necessário de mais nada além disso. Não, eu não sou o Fred Astaire. Não, eu não sou qualquer coisa. Não mil vezes para mil perguntas que buscam respostas positivas.

Abro um sorriso. A vida é incrível.
Me levanto. Tiro a poeira das costas e todos me esperam lá embaixo.

De volta a realidade de uma vida qualquer.

“O que temos para fazer?”
“Temos que mudar, senhores. Temos que nos tornar melhores a cada dia, com os recursos e prazos que temos.”

Todos abrem um sorriso para o garoto de olhar cansado.

“É claro que sim, Vinícius. Mas é sexta então… por hoje é só, né?”

Acabo sorrindo para eles e volto para a minha mesa após desejar um bom final de semana a todos. Olho pela janela novamente.

“É claro que sim. Por hoje é só isso.”

Pensamento Sem Título #21 - Vinícius S. Souza

E de todas as crônicas, todos os textos e cada poesia solta por aí, principalmente a minha, são apenas palavras. Podemos falar de amor, podemos falar de guerra ou de quanto tudo que nos cerca nos afeta. Em cada letra digitada ou escrita. Seja em cor que for, de traços fortes ou leves, a verdade é uma só:

São apenas palavras, e nada além disso.

No fundo, talvez, o que tenha valor é o sentimento que criamos ao escrever. É amarrar um pedaço da alma da gente em um parágrafo, em uma crônica ou em uma poesia sem sentido. É a mensagem que transmite um punhado delas, ou apenas uma, como sentimento em forma de palavra: Amor, saudade, carinho, raiva, ódio e todo o complexo de Jung que você consiga mapear em seu interior.

Talvez, o que tenha real valor, sejam as ações. Essas que podem mudar o rumo de uma vida. É uma pena que para tomarmos por esse caminho, precisamos ter muito mais coragem do que simplesmente escrever meras… palavras.

Mas afinal, é tudo que somos. É o que nos define.

Pensamento Sem Título 20# - Vinícius S. Souza

Eu sonhei com você hoje a noite.

Não via teu rosto, não sabia quem você era, mas eu sonhei.
Como alguém que está deitado no chão, e de toques lentos eu senti tua respiração perto de mim.
Senti teus cabelos caírem sobre as minhas costas e um abraço desajeitado. Senti teu toque no meu corpo para saber se eu ainda estava vivo.

Era você, desconhecida dos sonhos.

Onde quer que esteja, venha ao meu encontro.
Talvez a gente já tenha se encontrado por aí, talvez você já tenha visto o quão acabado eu estou nesses últimos dias. Vem. Eu preciso de alguma razão para sair da minha cama na busca de coisa alguma. Falta sentido nas coisas. Falta um pouco de cor, talvez.

Talvez eu não exista, e nem você.
Mas por um momento… eu soube quem você era.
Por um momento, em algum sonho distante, eu sorri.

Venha.

Pensamento Sem Título #19 - Vinícius S. Souza

Eu sempre achei que conseguiria fazer tudo certo.

De que seria um bom filho, um bom namorado e um bom amigo.
Agora eu me encontro sozinho, tendo que preparar minha saída de casa e seguir por aí, junto do trabalho, estudos e todo o resto.

Estão me forçando a isso, como se em um dia eu fosse algo e no outro eu devesse evoluir, se é que esse é o adjetivo mais correto. O ponto é a força em mudar. A obrigação de ser feito por não haver outra escolha.

Acho melhor colocar tudo isso dentro de uma bolsa e guardar. Enterrar ou seja lá o que.
Acredito que o ideal deve ser eu trancar toda e qualquer forma de vontade e me concentrar em realizar as coisas que preciso fazer.

E eu assumirei essa posição. Eu não olharei para atrás em nenhum momento. Eu não vou descansar, não vou seguir uma vida leve como todos os outros por aqui ou naquele outro lado seguem. Eu não faço parte, e não farei.

Eu me nego. E nego você também que me descartou.
Se eram isso, conseguiram.

Venha vida. Me dê outro momento onde eu devo destruir tudo novamente.
Você já me transformou no filho da puta que você precisava. Me dê outra dose, e vamos lá.

Pensamento Sem Título #18 - Vinícius S. Souza

Eu geralmente pensava que boas coisas aconteciam para quem busca algo de bom, mas não é assim. Uma amiga antiga se casa hoje, uma irmã de uma ex namorada também.
O tempo está passando de uma maneira estranha, ou será que todo mundo está levando as coisas de um jeito rápido demais? Eu nunca sei.
Eu me sinto meio culpado, por ter cruzado o caminho dessas pessoas. Eu me sinto mal por ter feito umas chorarem e tudo mais, mas… é estranho. Eu busquei remediar sempre. Eu busquei cuidar sempre e hoje eu me encontro aqui sozinho. Sim, você que lê pode acreditar que eu estou admitindo a derrota e levantando uma bandeira branca mas, não é bem assim. Embora talvez seja.
Meus amigos não estão aqui por perto, e nem tenho sinal deles. A casa está vazia, e só tem eu e esse trabalho esperando por ser feito aqui na tela de um outro computador.

Eu me sinto um pouco sozinho. Talvez seja bobeira minha, talvez seja o tempo, mas… tem algo que mudou. Tem algo que não está aqui e eu… eu não estou lá.

Eu nunca estou.

Pensamento Sem Título #17 - Vinícius S. Souza

… Ela caminhou por um tempo. Encontrou algumas verdades, umas tristezas jogadas no chão e um dia, na rua, deram um desses encontrões um no outro. Era a vida, e toda a sua ironia, fazendo o que sabia de melhor. Acasos.

Ele a levou para tomar um café. Na verdade um chá. Conversaram pouco, se olharam demais e antes de sair ele a puxou como o fizera a um tempo atrás. Havia passado o tempo, mas não a mania. Ela não sorriu. Fechou o punho e deu uns socos no peito dele. Ele, por sua vez, sorriu de volta e acabou derramando uma ou duas lágrimas e roubou dela um beijo, como sempre roubara. Ela não viu ele derramar porque também estava do mesmo modo. Era um momento complicado, como sempre fora na vida daqueles dois.

Acabaram voltando para o ap dele. Eram seres desconhecidos e aquela conversa no café não serviu de muita coisa. Ela ainda estava indignada, assim como ele. Haviam tantas perguntas, e tanta raiva e culpa em cada um que ainda assim, o que fez aquele beijo com eles? Ambos se perguntavam em silêncio numa briga eterna com suas próprias mentes mas isso se passou por alguns segundos no momento em que ele abriu a porta de seu apartamento.

Jogou a jaqueta de couro em um canto, disse para ela se sentir a vontade e entrou para dentro do quarto. Ela ficou ali na sala, olhando ao redor do apartamento daquele sujeito que não via a muito tempo.
Não sabia bem o que ele havia feito da vida dele. Nem ele a dela. Não haviam se falado a não ser poucos encontros, poucas brigas e poucas desgraças ao longo dos anos. Eram turbulentos e rabugentos, na maior parte do tempo um com o outro mas quanto ao mundo lá fora daquele apartamento, eram boas pessoas. E de fato, eram. Só havia muito orgulho e muitos machucados entre eles. E de fato, não queriam realmente que existisse isso, mas os eventos determinaram que seriam assim, e assim o foi. Ficaram rígidos e amargos, e tudo mais, mas algo dizia naquele beijo a alguns momentos atrás que talvez aquilo poderia mudar. A esperança sempre foi uma parada estranha para esses dois. Ela havia se concentrado na vida de escritora, era reconhecida e tinha orgulho disso. Talvez essa bagunça toda a havia dado uma razão para escrever. Talvez o faça até hoje, quem sabe. Sobre ele, depois de se isolar em um canto, havia conseguido entrar em uma gigante. Havia se tornado líder de equipes e virou um bom profissional. Cada um a sua maneira, haviam encontrado o sucesso de uma carreira com desafios. Mas essa, essa é uma outra história.

Ele voltou com uma caixa. Não era muito grande, não tinha muita coisa e não era muito espaçosa. Era uma caixa comum, dessas que você encontra por aí. Você sabe, toda caixa é uma caixa, não importa muito a descrição dela e sim o que ela guarda.

Era como aquele apartamento. Tinha apenas o necessário. De paredes brancas, com detalhes em madeira, ferro e mármore. Com livros e mais livros, com uma tv grande e videogames, com uma cama digna e com um banheiro que tinha uma dessas banheiras de porcelana que a gente vê em filmes. Ele havia conseguido pagar tudo. E o melhor, havia uma Harley lá em baixo ao lado do seu carro, essa sim, era a belezinha daquele sujeito. O tempo havia passado, mas o seu desejo por esse tipo de brinquedo continuava o mesmo.

“O que tem aí nessa caixa velha?”
“Abra e veja. Oras.”

Ela resmungou, ajeitou o cabelo em mais um toque de feminilidade de como quando estava nervosa e abriu.

Pensou em falar algo mas ficou ali, perplexa. Pensou em tanta coisa, e mais em outras tantas e nada saiu pela sua boca. Ficou ali. Parada. Olhando. São aqueles momentos em que a nossa reação resolve sair pela porta e ir dar um passeio com o nosso ar, mas esse acaba ficando porque poxa, não é legal desmaiar em um momento desses. Não com esses dois, e ainda mais ela que sempre fora um pouco fria. Não, não com ela. Mas ainda assim, as palavras foram passear ali na rua onde ficava aquele apartamento, mas não antes de darem uma boa olhada naquela harley que realmente era uma obra prima da mecânica quase moderna e dispensarem alguns adjetivos elogiando aquela máquina.

“Eu pensei que você fosse ficar assim. Pois é.”

E lá dentro, guardado e meio empoeirado. Com um laço vermelho novo e junto de algumas outras lembranças, estava lá… tudo. Sim, tudo.

“Você deveria ter jogado isso fora e esquecido o resto.”

“Alguém precisa guardar aquilo que os outros se arrependem de existir, não? Está aí. Guardei para o tempo em que você buscasse uma resposta ou caso a curiosidade batesse.”

“Minha vida está ótima agora, e você me vem com isso?”

“Pois é. Eu não tenho jeito. Está aí, nessa caixinha mequetrefe, tudo que fizemos. Alguém precisava guardar aquilo que você perdeu e esqueceu de procurar. E eu precisei encontrar um lugar para esconder. Achei essa caixa. É comum né? Pois é, eu também achei.”

Ela sorriu. Ele também.

Ela abriu sua bolsa, e tirou um pacotinho qualquer. Era amassado, meio velho, e parecia bem gasto.

“Toma. É teu. É um pacotinho qualquer, achei mais fácil camuflar desse jeito. Feito o Doctor quando disse que para destruir a TARDIS era só jogar ela em um canto. Tentei, mas não deu muito certo. Embora eu consegui enganar todo mundo durante esse tempo.”

Ele já havia ouvido isso antes. E saberia o que aconteceria logo mais. Também havia um laço ali.

Não se sabe bem o que aconteceu naquele apartamento. Nem que fim levou, ou se o acaso aconteceu novamente. O que acontecera por trás daquela janela de uma cidade chuvosa, também não se sabe. O que podemos afirmar, desde então, é que nunca mais foram os mesmos. Pois já não eram, e talvez nunca mais seriam.

A vida é assim. De ironias sorrateiras, de dramas cheios de comédia e de medos que hora são insuperáveis e em alguns momentos parecem ser ridículos ao ponto de um sorriso no final de tarde ser capaz de fazer a gente superar eles, pela imaginação que temos daquilo que foi e poderia ser, e daquilo que é mas… bom, não é.

Rascunho de qualquer coisa - Vinícius S. Souza

E agora eu me flagro em uma situação estranha. É uma mistura de caos bem arquitetado. Não, não é um projeto do Niemeyer como aquelas paradas que parecem ser um disco voador retrô dos tempos das vespas e thunderbirds. Não, é bem longe disso.

Eu não sei que rumo eu levo agora. Não, sério mesmo cara. É tranquilo seguir uma vida sozinha, olha só… eu estou me virando bem. Não, mesmo. É só ver o extrato da minha conta bancária e eu já posso abrir um sorriso e um high-five imaginário comigo mesmo. Mas não é isso que conta a nossa vida, certo? Certíssimo.

O que eu andei pensando é que as pessoas se tornam amargas. Elas azedam. Não como quando você abre aquela parada super gostosa e sente um cheiro estranho por conta da data de validade já ter passado. Nós não somos assim. Azedamos, adocicamos, alguns adocicam demais outras partes e outros simplesmente são bons na medida correta da coisa. São altos e baixos, é, feito uma montanha-russa para emendar o clichê.

Talvez tudo isso se deva por conta de todas as brigas que a gente tem que lidar. Com todas as perdas, todas as vitórias e o suporte de quem está por perto. Mas no final das contas, para ser sincero em minhas observações, eu acho que depende só de nós. Ninguém precisa ouvir o nosso drama. Cada pessoa já tem o seu. Cada canto e cada cachorro possuem sua sina. Cada ser dentro do metrô ou cada morador de rua carrega sua cruz. O diretor de empresa também. E o estagiário, bom, esse nem se fala.

Mas gira em torno de sentimentos. Gira em torno de sorrir, e aprender com o que fizeram contigo. E cara, eu estou aprendendo. Mas ainda assim eu tenho uma noção estranha para essas coisas. Ok, fazemos merda e isso pode nos seguir pelo resto das nossas existências nesse pontinho azul no meio do nada mas… realmente, um momento pode nos definir a vida inteira? Uma troca de olhar, um sorriso tímido e um beijo podem definir o resto do seu caminho? Eu nunca sei responder essa pergunta que de vez em quando resolve aparecer na minha cabeça.

Eu nunca sei se uma figura que consegue realmente ter uns erros de português, umas trocas de sílabas e um ar cheia de si poderia definir o curso que eu terei daqui para frente. E na real, talvez daqui a dez anos isso tudo não faça o menor sentido. Afinal, eu nem sei se vou estar vivo até lá. Você que está lendo também não, certo? Ok, eu vou torcer que você concorde.
O que eu quero dizer é que as pessoas te marcam. Seja por bem, ou por mal. Seja por razões boas ou ruins (sim, há uma diferença nessas duas frases, observe bem e perceba).

Você voltaria atrás se pudesse? Feito aquele carinha do Coldplay que quis ser O Cientista, ou como o aleatório Doctor Who que parece que ferra as coisas a cada vez que tenta arrumar.

Você se sacrificaria, ficaria ausente pelo bem de uma outra pessoa? Como aquele final do primeiro Efeito Borboleta, ou como nos diversos casos do Mr.Nobody?

O ponto que eu quero chegar é que… sim. Talvez eu voltaria para o começo. Talvez se eu soubesse que tornaria uma outra pessoa algo amargo e ruim consigo mesma, eu sequer teria feito qualquer movimento. Na verdade, sequer teria nascido. E quando algo cai, quando algo bom… desmorona pra valer, não há muitas pessoas que são capazes de irem lá e consertar. Dar uma limpada aqui, aplicar um curativo ali, e aos poucos ir começando do zero.

São poucos que realmente se arriscam até o fim, mesmo depois das cenas dos créditos já terem passado e o cinema estar vazio tirando você, ali, esperando uma cena extra ou algo assim. Meu caro, não há. Talvez numa edição especial, mas… aí é outros oitenta.

A sua vida não vai se consertar numa escolha baseada em tempo. Não é daqui a dez anos ou vinte. Não é em pequenos acasos, em sorrisos de segundas intenções ou numa transa qualquer. Não é por dinheiro também, embora esse torne as coisas mais confortáveis de lidar.
A sua vida se define nas escolhas que você sabe que são difíceis de tomar, ao invés da apatia delas.

Ao menos eu minto para mim dessa forma, embora as vezes parece ser a verdade. Eu nunca sei, na realidade.

Eu me flagro pensando em coisas que não devia. Em cagadas que eu cometi, em lágrimas que eu fiz alguém derramar e ainda assim, ainda por uma breve droga de momento, eu acredito que eu poderia mudar tudo. Mas são situações e situações. São medos, vem isso e aquilo outro. E vem a dificuldade também, dependendo da dimensão e de tantas coisas envolvidas.

Mas há quem diz que isso não é desculpa.

E sinceramente? Eu concordo plenamente.

Mas deixa para lá. É um drama. E ninguém precisa disso para viver.
E o que sobra para você, no final de uma noite bêbada são memórias.

Seu primeiro beijo com aquela garota, teu primeiro encontro, o sorriso e o primeiro eu te amo.
Você lembra da primeira vez. Lembra das músicas que quase dançaram, dos lugares que quase foram, e da queda de tudo isso. Claro que você vai lembrar daqui a cinco, daqui a dez ou vinte anos.

Você foi marcado por alguém. E isso muda todo o rumo da sua vida, meu caro.
Agora vá, e descanse. A vida, com todo o seu jeito alternativo de lidar com você, criaturinha estranha, estará te esperando depois do sono.

Vai. Porque meu caro, o clichê é real.

O tempo não para.

Pensamento Sem Título #17 - Vinícius S. Souza
Discurso de boteco.
1: Transa comigo hoje. Logo depois que a gente sair do bar.
2: Eu não sou assim. Não sou uma vadia dessas que você encontra por aí.
1: Claro que não, você é só um cara.
2: E você quer transar comigo. Vai por mim, eu poderia, mas eu definitivamente não quero.
1: Me diz, o que te fizeram para você ficar assim? Pra recusar dessa maneira sem nem sequer pensar duas vezes.
2: Aconteceu a vida, guria. Simples assim.
1: Eu pensava que os caras curtissem uma garota que toma uma atitude assim.
2: Seja uma vadia, chegue em qualquer outro nessa droga de rua e você vai conseguir tua transa, mas não me venha com esse papo. Não comigo, não hoje. Amanhã ou semana que vem, quem sabe. Talvez eu precise mesmo de algo assim, mas hoje não. Hoje eu só quero ficar bêbado.
1: Cara, cê é estranho.
2: Eu sei. Tive um dia complicado.
1: Posso te perguntar uma coisa?
2: Me acerta com o teu melhor tiro, hellcat.
1: Qual foi o teu sonho?
2: O meu sonho?
1: Sim. Antes de você ficar com essas olheiras, esse olhar vazio e trabalhar em pleno final de semana sabe-se lá o por quê.
2: Eu sonhava em ter paz. Em nessas merdinhas de dezenove anos que eu tenho, em começar uma vida ao lado de alguém. Sim, é totalmente fora do normal, o certo era eu estar transando por aí, bebendo e tocando o foda-se para a sociedade, mas... por um momento, ali... eu... droga, eu estou bêbado, mas... eu realmente acreditei que... uh, do que estávamos falando mesmo?
1: Do seu sonho cara, qual era teu sonho?
2: Meu sonho era poder ser um bom marido, um bom pai e um bom amigo para quem estivesse a minha volta. Mas você sabe, a vida não funciona bem desse jeito.
1: Como assim cara!? Olha a sua idade e tem todas as outras coisas e...
2: O que tem? Qual o problema? Eu garanto que nesses últimos meses eu vivi muito mais do que você, em todo esse seu vestidinho de quem quer algo mais do que encher a cara viveu. E sim, não faz o menor sentido para qualquer outra pessoa mas... sinceramente, para mim fez.
1: E agora, o que você quer? E agora você está dando em cima de mim, como assim?
2: Eu só estou te elogiando, calma. Você fica sexy dessa forma, o que eu posso falar? Enfim, eu quero apenas descansar um pouco. Eu realmente estou cansado. Quero ser um bom irmão e me concentrar no trabalho. É o que todos os fodidos por conta de algum relacionamento quebrado fazem, e eu não sou diferente. E olha só... daqui a pouco eu nem vou estar mais aqui.
1: Eu sei, eu sei... você falou disso. Você volta?
2: Vamos beber, e ir embora. Já tá na hora de deixar essa Augusta no lugar que ela merece. Na merda.

A vida como ela é. Em perfeita harmonia, a Terra alinhada com a galáxia e todo o resto.
E eu estou aqui, nesse planeta. É engraçado isso não é? Saber que você é uma coisinha assim, no meio de um nada que flutua por aí. Essa parada de dimensão é uma coisa estranha nesses tempos tão estranhos.

Enfim, de uns tempos pra cá eu tenho que lidar com uma porrada de coisa. E eu perdi bastante também, cara, como perdi. Foi umas quedas de looping de uma montanha russa que eu quase tinha certeza de que havia alguém do meu lado e dang, loop e… opa, quem era que estava aqui mesmo? Fui olhar na foto que os caras tiram bem na hora que vc estava lá no topo, e eu juro cara, juro mesmo que dá para perceber uma figurinha saindo pelos cantos da saída de emergência. Bom, isso é uma outra história.

O que eu quero escrever aqui, ou ao menos deixar registrado é que… eu estou aprendendo com o tempo. Sobre ele, com ele e como usar ele da medida correta. As oportunidades não se repetem, e o clichê é totalmente válido. Realmente, passa e não volta mais. E você pode estar preparado, pode estar feliz da vida mas as coisas mudam de uma maneira absurda. Mas também melhoram na mesma velocidade, mas depende, depende muito de você mesmo principalmente. O tempo leva também. Como está fazendo com a Dona Alice aos poucos. Aos poucos assim, que um dia ela vai para o outro lado, e deixa de fazer bolinhos de chuva pra mim nos finais de semana, ou de vir com um sorriso de quem já viveu e sorriu bastante nessa vida. Vai doer. Vai doer pra caralho tanto em mim quanto na família toda mas… ela já deixou o legado dela. Já me ensinou a assobiar, a correr e a perseguir aquilo que eu quero, até conseguir. Não tem lição melhor que essa dona poderia me ensinar.

O tempo também modifica as coisas. Tem essa pessoa, de cabelos encaracolados feito a Alice só que não tão loiros, ok, talvez seja mais para uma morena Stoya para quem sabe do que eu falo. Ela vai se casar daqui uns dias. E eu realmente dou risada de mim mesmo quando me flagro pensando nesse assunto. Eu, com toda minha babaquice, espero poder desejar tudo de bom para esses dois. Sim, eu machuquei ela. Fiz chorar aqueles olhinhos todos atenciosos e pedindo carinho em um beco qualquer onde a gente trocava promessas e beijos. Você foi a primeira pessoa em que eu acreditei que poderia ser feliz de verdade, pequena. Seja feliz e conquiste o mundo por aí com teus passos cheios de hiperatividade, teus cachos e seus lábios vermelhos. E só chore de felicidade. Pensei em dar algum presente, em aparecer assim do nada ou algo do tipo mas… eu acho que já ensinamos o máximo que poderíamos um ao outro, não? De qualquer modo, caso você fique chateada, ou um pouquinho para baixo… vem. A gente toma um toddynho e eu não te deixo cair. Teu lugar é assim, conquistando aos poucos um mundo só teu. E o tempo nos mostra isso. E o tempo nos molda para isso, Alice.

Eu me sinto mais forte, mas… tá tudo tão apertado ultimamente. É, eu estou assim.
Já está na hora de parar de brigar com o mundo todo, sair dessa roupa idiota de astronauta e viver de verdade. Isso se eu conseguir abrir aquele zíper ali e esses botões e eu tenho quase certeza que aquilo ali está do avesso mas… uh, ok, vamos lá eu sei que consigo.

Existem outras pessoas lutando por aí. Em cada esquina, em cada banco de metrô e em cada ida e volta do trabalho. Está estampado nos rostos delas, assim como está em minhas olheiras. Eu apenas jogo de uma maneira diferente, eu apenas luto de uma maneira um pouco mais séria. Mas isso não me torna melhor ou pior que ninguém. Muito menos merecedor.

Talvez isso me torne quem eu sou de verdade. É algo que me defina.

E sobre o tempo, que ele faça algum bem a mim, porquê conseguiu compactar uns 5 anos em apenas 1. De perdas, de superações, de umas amarguras bem fortes e umas tristezas que provavelmente eu vou aprender a lidar um dia desses, quando estiver escrito em algum lugar o quão ruim eu fui. E como fui.

Ainda assim, eu vejo umas pontadas de coisas boas lá na frente. Eu estou pegando mais leve aos poucos. Comigo mesmo, mas me afastando um pouco dos outros. É hora de viver, ao invés de simplesmente deixar que a vida tome as escolhas para mim, como sempre briguei com tantos outros por isso.

Eu quero ser o irmão bobão, o profissional que ajuda a equipe, o amigo para segurar a barra quando chegar problemas e… eu quero ser uma boa pessoa. E conseguir ser tudo isso quando a voz na sua cabeça diz tudo ao contrário e te culpa por cada erro teu, cara… é bem complicado.

Então eu decidi que assim, irei pegar mais leve.
Faça isso com você mesmo, ou você aí no canto, na próxima vez que essa voz que as vezes parece berrar todas as cagadas que você já fez resolver dar mais um show na sua mente:

“Pega leve, cara. Eu estou tentando. Eu estou teimando.”

Pensamento Sem Título #16 - Vinícius S. Souza

Algumas histórias são escritas e outras talvez acabem caindo naquele clichê de que devem ser vividas.

Sobre a minha, e a sua, eu simplesmente não sei.

Não sabemos o que é real ou não, não sabemos o que foi e o que deixou de ser.
A única coisa que eu sei, é que seguimos.
Como podemos, e em caminhos diferentes.

E eu me perco por um segundo, nos meus recém 19, e reparo.

Talvez em todas as palavras que existam por aí para encaixarmos em um texto, talvez em tudo que eu vivi desde então, todas as pessoas, todos os sentimentos e todos os olhares perdidos entre outros tantos… eu entenda que o que possa ser a maior desventura que eu já vivi, talvez tenha sido a maior verdade de uma vida inteira. Minhas. Nesses 19 anos.

Mas não vamos colocar isso em papel e tinta, e muito menos em uma tela de computador.
Essa história existe em nossas mentes, e só é capaz de sobreviver lá.

É só no silêncio da noite e no olhar cansado de quem volta de um dia de trabalho. É na atitude diferente do nosso padrão e na recusa de um sorriso do outro lado do copo de uísque. É o beijo dado e fugido, e é a apatia com um mundo que você está nele, mas não faz mais parte.

É desistir de estar em rodas sociais, em estar bêbado, em transar pelo simples fato de transar, é esquecer que você já foi feliz por algum momento e é se concentrar fortemente em algo que faça a diferença. É em respeitar a si mesmo e conseguir ajudar sua família e ter um pouco de compaixão com essa figura que te encara no espelho. É sair da merda depois de alguém ter te jogado nela: Você mesmo.

Eu já não sou mais marujo de lugar nenhum, e sim capitão do meu próprio navio, minha cara desaparecida. E você, por onde se esconde? De quem e para que lugares você ainda foge? Ainda há lá um mar de rosas e um coração vazio?

Sou capitão de um navio, em minha roupa de astronauta. Roupa essa que de capacete fechado mal as pessoas conseguem ver meu rosto verdadeiro, e sim apenas esse rosto cansado nessa estranha roupa de astronauta. Roupa essa, que não é roupa. É prisão.

E um dia, na minha lápide, espero que escrevam Axios. Assim como espero que escrevam na sua, ou no dia em que você dizer que sente de novo o que já sentiu um dia. E aí a família se úne, a igreja resolve tocar uma música e você está lá, de branco com alguém ao teu lado.

Axios. Eu mereço. Por tudo que eu fiz, por todas as atitudes e erros. Axios. Por cada lágrima perdida e dose de álcool ingerida. Axios. Por cada soco na parede, por cada sorriso amarelo e por cada dia sobrevivido. Axios. Para cada sentimento amassado e essa apatia que não sai. Axios, para o silêncio de quem fugiu e o silêncio de quem ficou.

E da poesia se desfaz a luz, e a noite cai. Amanhã eu inicio uma guerra da qual você jamais imaginaria que seria possível, e que talvez choraria, apenas por saber que faço para ficar o mais longe possível, de modo que sua mãe mantenha a promessa, e que você fique rodeada por aquilo que mais gosta. Eu, que não fui capaz de ser aquilo que era. E não é drama, não é sentimentalismo. É verdade. Te conto em segredo se você duvidar. Mas não é para ter pena não, sou eu que sou extremista e exagerado.

Axios para um lobo que já deixou de ser de uma garota que não está mais lá.

Algumas histórias são escritas, outras são fragmentos de uma coisa qualquer. E outras coisas são escritas como se merecessem alguma coisa. Assim como essa coisa, e aquela outra ali.

Pensamento Sem Título #15 - Vinícius S. Souza

Eu estou cansado.
Parecem anos flutuando no espaço, sendo que na verdade, em plano terrestre são apenas alguns meses. Espaço. Tempo. Luzes. Estrelas.
Estive em todo canto desse universo desde então.
Deveria eu me estabelecer? Deveria eu ancorar meu cometa e me deixar afundar em algum oceano azul?

Eu nunca sei.

Ainda circulo, ainda luto, ainda estou por aí.
Eu só estou cansado.

E quem sou eu para um universo que não faz o menor sentido para mim? Que não tem sequer valor para os olhos que estão atrás desse capacete de astronauta que me colocaram.

Eu ainda existo. E eu mereço.
Eu ainda estou a flutuar por aqui, nesse espaço entre bêbados e perdidos.

Diário de bordo do Astronauta - Vinícius S. Souza